O pelo do cão não é estático, muda com a luz do dia, com a temperatura, com a humidade. Quem trabalha em grooming sabe que o animal que aparece no salão em julho é, em termos de pelo, uma criatura bem diferente da que apareceu em dezembro. Adaptar a rotina de tosquia e grooming à estação do ano não é um extra: é parte essencial de um trabalho bem feito.

Muda a pelagem, muda a abordagem

A maioria dos cães tem dois ciclos anuais de muda de pelo: um na primavera, em que perdem o pelo mais espesso do inverno, e outro no outono, em que se preparam para a estação fria. Há raças com muda contínua e há aquelas em que esta transição é tão intensa que parece que o animal está a perder metade do corpo de uma vez.

Do ponto de vista do groomer, isto tem implicações diretas. No início do verão, o pelo morto acumulado pode criar nós e emaranhados que retêm calor e impedem a circulação de ar junto à pele, o contrário do que o cão precisa nos meses quentes. No início do inverno, a pelagem de proteção ainda está a crescer e qualquer corte demasiado agressivo pode deixar o animal mais vulnerável ao frio.

Perceber em que fase do ciclo o animal está é o primeiro passo antes de decidir qualquer coisa.

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O que muda no verão

O calor é o fator dominante, mas nem sempre o que parece óbvio é o mais correto. Tosquiar rente um cão de pelagem dupla, por exemplo, pode fazer mais mal do que bem: a camada interna funciona como isolamento térmico nos dois sentidos, protegendo do frio no inverno e do calor no verão. Ao retirar essa proteção por completo, o animal fica exposto à radiação solar direta e ao risco de queimaduras solares.

O que faz sentido no verão é:

  • Carding profundo para eliminar o pelo morto e soltar a pelagem.
  • Cortes de manutenção que aliviem o volume sem comprometer a estrutura de proteção.
  • Maior frequência nos banhos, especialmente em cães que passam mais tempo no exterior, na praia ou em zonas rurais.
  • Atenção redobrada às zonas de fricção (axilas, virilhas, pescoço) onde o calor e a humidade favorecem a proliferação de bactérias e fungos.
  • Secagem cuidadosa, já que no calor há tendência para deixar o pelo ainda húmido, o que pode originar dermatites.

O verão é também a altura em que as visitas ao salão tendem a ser mais frequentes, tanto por iniciativa dos tutores como por necessidade real do animal. Um cão que passa os fins de semana na água ou em relvados precisa de manutenção mais regular do que um que vive em apartamento com ar condicionado.

A questão dos parasitas

O tema dos parasitas não pertence estritamente ao grooming, mas qualquer profissional que trabalhe com animais no verão vai deparar-se com ele. Pulgas, carraças e outros parasitas externos estão mais ativos nos meses quentes, e a inspeção do pelo durante uma sessão de grooming é muitas vezes o momento em que se detetam os primeiros sinais.

O groomer não diagnostica nem trata, isso é função do médico veterinário, mas pode (e deve) alertar o tutor para o que encontrou. É um dos pontos em que a atenção no trabalho tem impacto direto no bem-estar do animal.

O que muda no inverno

O inverno coloca desafios diferentes. O pelo cresce mais espesso em muitas raças, os banhos ficam logisticamente mais complicados (secagem demorada, risco de o animal sair molhado para o frio) e a frequência das sessões tende a diminuir.

Mas há erros comuns que aparecem precisamente nesta época:

  • Deixar o pelo crescer demais sem manutenção: a ideia de que no inverno o pelo deve estar longo para proteger do frio é parcialmente verdade, mas um pelo descuidado acumula sujidade, cria nós e torna-se desconfortável para o animal, além de poder esconder problemas de pele que passam despercebidos.
  • Secar mal após o banho: no inverno, a secagem tem de ser completa. Um animal que sai do banho com pelo ainda húmido nos meses frios está sujeito a arrefecimento e a problemas dermatológicos. A secagem com jato quente ganha aqui ainda mais importância, e a consulta sobre os cuidados essenciais para cães e gatos no inverno pode ser um bom recurso para partilhar com os tutores.
  • Negligenciar as patas: no inverno, as patas merecem atenção especial: o pelo entre os dedos retém lama, humidade e, em zonas mais frias, sal e produtos antiderrapantes das ruas. Aparar regularmente essa zona evita nós, desconforto e possíveis irritações.

Raças de pelo longo e raças de pelo curto: não é igual para todos

A sazonalidade afeta de forma distinta consoante o tipo de pelagem. Um Golden Retriever com pelagem densa e dupla tem necessidades completamente diferentes das de um Weimaraner de pelo curto.

  • Raças de pelo longo ou duplo (Border Collie, Husky Siberiano, Chow Chow, Samoiedo) sentem mais o impacto da muda e beneficiam de sessões de cardagem mais intensas nas transições de estação.
  • Raças de pelo curto precisam de menos intervenção, mas isso não significa que a sazonalidade não seja relevante: a pele fica mais exposta ao sol no verão e ao frio no inverno, e os cuidados de hidratação ganham importância.

As raças que mais requerem serviços de grooming têm, por regra, pelagens mais complexas onde a gestão sazonal é mais evidente, mas qualquer raça beneficia de uma rotina adaptada à época do ano.

A frequência ideal não é a mesma todo o ano

Uma das perguntas mais comuns dos tutores é precisamente esta: de quanto em quanto tempo devo trazer o cão ao salão? A resposta certa é que depende da raça, do estilo de vida do animal e da estação do ano.

Como referência geral:

  • No verão, raças de pelagem densa ou de pelo longo podem precisar de visitas a cada 4 a 6 semanas, às vezes menos.
  • No inverno, muitos tutores espaçam para 8 a 10 semanas, o que é razoável desde que haja escovagem regular em casa.
  • As transições de estação (março-abril e setembro-outubro) são os momentos em que uma sessão completa de cardagem e tratamento faz mais diferença.

Orientar o tutor sobre isto faz parte do trabalho de um groomer profissional. Não é só sobre o serviço imediato: é sobre educar para uma melhor rotina ao longo do ano.

Grooming sazonal como competência profissional

Saber ler a pelagem de um cão e perceber o que ele precisa em função da estação do ano é uma das competências que distingue um groomer que apenas executa de um que realmente compreende o animal. A primeira tosquia já exige leitura do animal; o acompanhamento sazonal ao longo da vida do cão exige muito mais.

Para quem quer aprender estas competências com base sólida, o curso de Tosquia e Grooming da Nubika aborda precisamente este tipo de conhecimento: não só as técnicas de corte, mas também a anatomia do pelo, as especificidades de cada raça e os cuidados que fazem a diferença no dia a dia.