A fisioterapia e reabilitação animal é a área dedicada à recuperação física de cães, gatos e cavalos depois de cirurgias, lesões ou doenças que afetam a mobilidade. Junta técnicas como a hidrocinesiterapia e a cinesioterapia ao acompanhamento de uma equipa veterinária, e tem vindo a ganhar visibilidade em Portugal, à medida que mais clínicas passam a oferecer este tipo de serviço.

O que é, afinal, a reabilitação animal

Quando um animal é submetido a uma cirurgia ortopédica, sofre uma lesão neurológica ou desenvolve artroses com a idade, o tratamento médico, por si só, pode resolver a causa, mas não ser passível de restaurar completamente a força muscular, o equilíbrio ou o padrão de marcha normal. É nesta fase que a reabilitação pode ser uma grande vantagem: um conjunto de intervenções físicas, planeadas e acompanhadas, que ajudam o animal a recuperar função e qualidade de vida de forma gradual e segura.

Ao contrário do que se possa pensar, não se trata de uma versão simplificada da fisioterapia humana aplicada a animais. Cada espécie tem particularidades anatómicas e comportamentais próprias, e o plano de reabilitação deve ser definido pelo médico veterinário, e idealmente em conjunto com um especialista em reabilitação animal ou fisioterapia veterinária.

Que técnicas fazem parte da reabilitação animal

A reabilitação animal recorre a um conjunto de agentes físicos e exercícios que podem ser combinados. Entre os mais comuns estão:

  • Hidrocinesiterapia: exercício terapêutico realizado em meio aquático, com recurso a passadeira subaquática ou piscina.
  • Cinesioterapia: abrange exercícios de força, resistência, amplitude articular, coordenação e propriocepção, que ajudam a recuperar padrões de movimento.
  • Agentes físicos como fotobiomodulação (ou laserterapia), ultrassons ou eletroterapia: usados para controlar dor e inflamação e estimular a recuperação dos tecidos.

As técnicas são selecionadas e aplicadas tendo em conta as particularidades de cada caso. Se tens dúvidas sobre a situação do teu animal, consulta sempre o teu médico veterinário: só ele pode diagnosticar e prescrever o plano de reabilitação adequado.

A quem se destina este tipo de acompanhamento

A reabilitação animal aplica-se sobretudo a animais em recuperação pós-cirúrgica (principalmente, cirurgias do sistema musculoesquelético), a casos neurológicos que afetam a locomoção, e a animais seniores com perda de mobilidadeNa perda de mobilidade dos animais séniores, o objetivo não será, à partida, a cura, mas a manutenção do maior nível de conforto e autonomia possíveis. É também comumente utilizada em cães que pratiquem desporto, ou cães de trabalho, como forma de prevenir lesões e otimizar o seu desempenho.

Cães, gatos e cavalos: nem todos se reabilitam da mesma forma

Os princípios são semelhantes, mas a aplicação da reabilitação altera consoante a espécie.

Os cães são, de longe, os pacientes mais frequentes em centros de reabilitação, sobretudo após cirurgias ortopédicas. Os gatos exigem abordagens mais discretas e adaptadas ao seu nível de tolerância ao stress, já que reagem pior a ambientes e equipamentos desconhecidos.

Já para cavalos, existe uma menor quantidade de centros de reabilitação, tendo em conta que implicam instalações muito próprias e mais complexas, por serem animais de grande porte. Estes centros de reabilitação possuem equipamentos, como passadeiras aquáticas, plataformas vibratórias, equipamentos de laser, equipamentos de shockwave, entre outros. Estes centros funcionam em articulação com médicos veterinários, ferradores, e outros profissionais necessários ao maneio do animal.

Qual é o papel do auxiliar de fisioterapia e reabilitação animal

O auxiliar não substitui o médico veterinário nem o especialista em reabilitação ou fisioterapia veterinária, que são quem avalia, diagnostica e define o protocolo terapêutico. O auxiliar dá apoio direto à execução desse plano: prepara o espaço, os materiais e os equipamentos para cada sessão, posiciona e contém o animal em segurança durante os exercícios, monitoriza sinais de desconforto, fadiga ou dor, e regista a evolução de cada sessão, para facilitar o acompanhamento do progresso pela equipa clínica. É uma função que exige paciência, atenção aos detalhes e um bom conhecimento do bem-estar animal em cada etapa do processo, incluindo saber ler o comportamento do animal quando ele não consegue dizer o que sente.

Onde se trabalha nesta área

As saídas profissionais mais comuns incluem clínicas e hospitais veterinários com serviço de fisioterapia, centros especializados em reabilitação e condicionamento físico animal, centros equestres e clínicas equinas, e centros de treino e desporto canino. Em contexto hospitalar, o trabalho articula-se de perto com a equipa clínica, podendo envolver animais que estão também a passar por internamento numa clínica veterinária. Para além dos contextos clínicos, há também oportunidades em hotéis, canis e creches de animais que integram serviços de bem-estar e recuperação.

Como te tornas auxiliar de fisioterapia e reabilitação animal

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A fisioterapia e reabilitação animal continua a ganhar espaço em Portugal, à medida que tutores e clínicas percebem o impacto real que tem na qualidade de vida dos animais depois de uma cirurgia, de uma lesão ou, simplesmente, com o avançar da idade. Para quem gosta de trabalhar de perto com animais e quer ver resultados concretos no bem-estar de cada paciente, é uma das áreas mais gratificantes dentro do setor veterinário, e também uma das que mais se encontra em crescimento. Se é isso que procuras, vale a pena explorar o que esta formação tem para oferecer!