O verão português traz dias de praia, esplanadas e passeios mais longos, mas também traz riscos que muitos tutores só descobrem tarde demais. Entre golpes de calor, asfalto a escaldar e parasitas que aparecem justamente nesta altura do ano, há cuidados essenciais para animais de estimação no verão que fazem toda a diferença entre umas férias tranquilas e uma emergência evitável.

Golpe de calor: o sinal a que deves estar mais atento

Cães e gatos regulam a temperatura de forma muito menos eficiente do que nós, sobretudo raças de focinho curto, como Bulldogs ou Persas, e animais mais velhos, com excesso de peso ou com doenças respiratórias. Ofegar excessivamente, gengivas muito vermelhas, tontura, vómitos ou recusa em levantar-se são sinais de alerta que não devem ser ignorados, sobretudo se surgirem depois de exercício físico ou de tempo passado ao sol sem sombra disponível. Se achares que o teu animal está a sofrer de um golpe de calor, leva-o de imediato para a sombra, oferece água em pequenas quantidades e humedece-lhe o corpo com água à temperatura ambiente enquanto seguem para o veterinário mais próximo, não esperes para ver se passa sozinho. Evita água muito fria, o arrefecimento deve ser gradual. Em caso de dúvida, consulta sempre o teu médico veterinário.

Hidratação: mais crítica do que parece

Com o calor, as necessidades de água sobem, e nem sempre os animais bebem o suficiente por iniciativa própria, sobretudo os gatos, que por natureza têm um instinto de sede mais fraco. Reforçar a hidratação em cães e gatos passa por gestos simples, vários pontos de água espalhados por casa, água trocada com frequência para se manter fresca, e um pouco de alimento húmido a somar à dieta habitual.

O asfalto está mais quente do que parece

Num dia de sol forte, o piso das ruas pode facilmente ultrapassar os 50 graus, mesmo que o ar ronde os 30. Um teste simples resolve a dúvida, encosta a palma da mão ao chão durante cinco segundos, se não aguentares, as patas do teu animal também não vão aguentar. Passeios ao início da manhã ou já ao final da tarde evitam queimaduras nas almofadinhas, que costumam passar despercebidas até já estarem bastante inflamadas.

Tosquia no verão: o mito de rapar para refrescar

Muitos tutores acham que rapar o pelo todo ajuda o animal a aguentar melhor o calor, mas na maioria das raças o pelo funciona como isolante térmico e proteção solar, e rapar pode até aumentar o risco de queimaduras e golpes de calor. O que costuma fazer diferença é uma boa escovagem que remove a subpelagem morta, deixando o pelo mais leve sem retirar essa proteção natural. Este é também o motivo por que a sazonalidade do grooming entre verão e inverno exige técnicas diferentes consoante a estação e a raça.

Parasitas que aparecem justamente agora

O calor é também a estação alta para pulgas, carraças e flebótomos, o mosquito responsável pela transmissão da leishmaniose, doença séria e cada vez mais presente em Portugal, sobretudo nas regiões mais quentes do interior e do sul. Passeios ao amanhecer e ao anoitecer, quando o flebótomo está mais ativo, merecem atenção redobrada, e vale a pena verificar o pelo do animal depois de cada passeio em zonas de mato ou vegetação alta, onde as carraças costumam esperar. A desparasitação de cães e gatos deixa de ser opcional nesta altura do ano, e coleiras ou pipetas que já estavam desatualizadas na primavera precisam de renovação.

Praia, piscina e mar com o teu animal

Nem todas as praias em Portugal permitem a presença de animais, sobretudo entre junho e setembro, por isso vale a pena confirmar antes de sair de casa, algumas câmaras municipais disponibilizam listas de praias pet friendly online. Quando é permitido, a água salgada e a areia quente pedem alguns cuidados extra, lava o pelo do teu animal depois do banho de mar para evitar irritações na pele, seca bem as orelhas para prevenir otites, e nunca o deixes beber água do mar, que pode provocar vómitos e diarreia. Cães que não sabem nadar bem devem usar colete próprio, mesmo que pareçam confortáveis à beira de água, a corrente ou o cansaço podem mudar isso muito depressa.

Nunca, mesmo que seja só um instante

Há um cuidado que não admite exceções, nunca deixes um animal dentro de um carro fechado, mesmo com as janelas entreabertas e mesmo por poucos minutos. A temperatura interior pode subir a um ritmo muito mais rápido do que se imagina, e é uma das causas mais comuns e mais evitáveis de golpe de calor grave em animais de estimação durante o verão.

Férias: levar ou deixar em boas mãos

Se pensas viajar este verão, a decisão entre levar o animal contigo ou deixá-lo aos cuidados de outra pessoa merece ser pensada com antecedência, não à última da hora. Levá-lo implica preparar o animal de estimação para a viagem com alguma folga, transportadora adequada, água disponível e paragens regulares se for de carro. Deixá-lo cá implica escolher entre hotel, pensão ou pet sitter, as opções que existem para deixar os animais de estimação nas férias, cada uma com vantagens diferentes consoante o temperamento do animal.

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No fundo, os cuidados essenciais para animais de estimação no verão em Portugal resumem-se a bom senso aplicado a tempo, água sempre disponível, horários mais frescos para os passeios, e atenção redobrada a sinais que, no calor, aparecem e evoluem muito mais depressa do que no resto do ano.