A Terapia Assistida por Animais é uma das formas de intervenção que mais tem crescido em contextos clínicos, educativos e sociais. A presença de um animal numa sessão terapêutica pode mudar completamente a dinâmica entre o profissional e o utente, mas nem todos os animais estão aptos para este trabalho, e a escolha da espécie não é feita ao acaso. Neste artigo, ficas a conhecer quais são os animais mais utilizados na Terapia Assistida por Animais, o que os torna adequados para este papel e quais os critérios que definem essa seleção.

O Que É a Terapia Assistida por Animais?

A Terapia Assistida por Animais é uma intervenção dirigida por objetivos, na qual um animal que obedece a critérios específicos é parte integrante do processo de tratamento. É feita ou dirigida por um profissional da área da saúde, com conhecimentos especializados, e é pensada para promover o bem-estar físico, social, emocional e/ou o funcionamento cognitivo de indivíduos ou grupos.

Dito de outra forma: não se trata simplesmente de levar um animal simpático a um hospital ou escola. A TAA tem objetivos terapêuticos definidos, é planeada com antecedência e os seus resultados são avaliados de forma sistemática.

É importante também perceber que existe dentro de um quadro mais amplo, as Intervenções Assistidas por Animais (IAA), que engloba:

  • Atividades Assistidas por Animais: focadas no bem-estar geral, sem objetivos terapêuticos formais
  • Educação Assistida por Animais: orientada para contextos de aprendizagem

A diferença pode parecer subtil, mas é determinante para o papel do profissional e o nível de rigor exigido.

Em Portugal, cães, cavalos e outros animais estão a ser integrados em programas de saúde, educação e inclusão social, ajudando crianças, adultos e idosos a lidar com dor, ansiedade, dificuldades motoras ou isolamento. Seja em unidades hospitalares, picadeiros terapêuticos ou salas de aula adaptadas, a presença animal tem vindo a ganhar um lugar cada vez mais reconhecido na intervenção profissional.

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Quais São os Animais Mais Utilizados na Terapia Assistida por Animais?

Depende dos objetivos terapêuticos, do contexto e do perfil do utente, por isso vamos agora detalhar cada um deles.

Cães

Os cães de terapia são, de longe, os animais mais utilizados nestas intervenções:

  • Facilidade de treino;
  • Capacidade de resposta ao comportamento humano;
  • Ligação emocional que criam com as pessoas tornam-nos parceiros ideais;
  • Empáticos e com elevada sensibilidade a sinais não verbais;
  • Adaptam-se a diferentes contextos, desde ambientes escolares a hospitalares.

A presença do cão nas sessões proporciona um estado de relaxamento, redução de stress, ansiedade e da pressão sanguínea, com evidentes benefícios ao nível da saúde e bem-estar.

Dadas as suas características afetivas, funcionam como um fator motivador e um mediador para a relação entre o terapeuta e o cliente, favorecendo uma maior concentração e participação no desenvolvimento das sessões.

Cavalos

O cavalo é o segundo animal mais utilizado na TAA, sobretudo através da equoterapia. Aqui, o que está em causa não é apenas a interação afetiva, mas o próprio movimento do animal. O andamento a passo produz cerca de 60 a 75 movimentos tridimensionais por minuto, proporcionando ao sistema nervoso central uma grande fonte de estímulos sensoriais.

Os benefícios físicos incluem:

  • Coordenação de movimentos;
  • Destreza e a manutenção da postura.

Os benefícios cognitivos abrangem:

  • Atenção;
  • Concentração;
  • Memória.

Os benefícios emocionais traduzem-se em:

  • Autoconfiança;
  • Controlo das emoções;
  • Ganho de independência.

Os benefícios sociais refletem-se na melhoria da:

  • Comunicação;
  • Relações interpessoais.

É por isso que a equoterapia está indicada em contextos de reabilitação neuromotora, perturbações do espetro do autismo e síndrome de Down, entre outros. As sessões são sempre conduzidas por uma equipa multidisciplinar que inclui um profissional de saúde, um instrutor de equitação e o cavalo treinado para o efeito.

Gatos

Os gatos têm um papel menos central na TAA, mas não menos relevante. As investigações demonstram que os gatos são grandes recetores de emoções, sendo fundamentais para relaxar as tensões diárias e reduzir o stress quando acariciados.

O seu perfil mais independente e tranquilo pode ser especialmente adequado em ambientes controlados e com utentes que respondem melhor a estímulos menos intensos. Em lares de idosos, por exemplo, a presença de um gato pode reduzir o isolamento e proporcionar contacto afetivo sem exigir grandes adaptações logísticas.

Coelhos, aves e outros animais

Os coelhos são uma escolha frequente em contextos educativos e pediátricos, precisamente pelo tamanho acessível e pelo comportamento calmo. São mais utilizados em estímulos táteis e como atrativo visual, facilitando a aproximação de crianças mais ansiosas ou com receio de animais de maior porte.

As aves podem ser utilizadas em intervenções que trabalham a atenção e a estimulação sensorial. O som, o movimento e a cor captam facilmente o interesse de crianças e idosos.

Porquinhos-da-índia e outros pequenos animais surgem igualmente em programas de TAA, sobretudo em contextos pediátricos e educativos, onde o manuseamento fácil e o comportamento dócil facilitam a interação.

Os golfinhos surgem em contextos muito específicos e com custos logísticos e éticos significativos, pelo que a sua aplicação é muito mais restrita.

Em todos os casos, a utilização de qualquer animal na TAA depende de critérios rigorosos e de um enquadramento profissional sólido. A espécie é apenas um dos fatores, já que o perfil individual do animal é igualmente determinante.

Como Se Seleciona um Animal para a TAA?

Nem todos os cães são cães de terapia. Nem todos os cavalos estão aptos para a equoterapia. A seleção obedece a requisitos que garantem a segurança de todos os envolvidos:

  • Temperamento equilibrado: calmo, previsível e pouco reativo a estímulos inesperados.
  • Ausência de comportamentos agressivos: qualquer histórico de agressividade é imediatamente fator de exclusão.
  • Boa socialização: habituado a interagir com diferentes pessoas, incluindo crianças, idosos e pessoas com limitações de mobilidade.
  • Capacidade de adaptação a ambientes variados: hospitais, escolas e lares têm dinâmicas muito distintas; o animal deve lidar com elas sem sinais de stress.
  • Estado de saúde adequado: vacinação atualizada, desparasitação e controlos veterinários regulares são requisitos inegociáveis.

Cavalos com temperamento calmo e paciente são os preferidos para a equoterapia porque são confiáveis, amigáveis e capazes de lidar com diversos estímulos sem ficarem agitados. O mesmo princípio aplica-se a qualquer outra espécie.

O Bem-Estar Animal Não É Opcional

Existe uma questão que nem sempre recebe a atenção que merece: o bem-estar do próprio animal. Na TAA, o animal não é um instrumento passivo, é um ser com necessidades físicas e emocionais que precisam de ser respeitadas ao longo de todo o processo.

O bem-estar do animal terapeuta é primordial nos atendimentos. O tutor deve sempre ficar atento à linguagem corporal do animal, à fadiga e ao excesso de trabalho. As sessões têm duração máxima definida, os animais têm períodos de descanso garantidos entre interações e a monitorização de sinais de stress é uma responsabilidade constante da equipa.

A formação especializada prepara os profissionais para realizar avaliações constantes, ajustando as práticas conforme necessário para promover o bem-estar animal sem comprometer a eficácia terapêutica. Um animal que trabalha sob stress não é terapêutico para ninguém e, reconhecer isso, é uma marca de maturidade da área.

Que Profissionais Podem Trabalhar Com Terapia Assistida por Animais?

A TAA é uma área interdisciplinar que envolve diferentes perfis profissionais. A procura por profissionais especializados cresce sobretudo em contextos educativos, hospitalares e de apoio social, com organizações públicas e privadas a incorporar cada vez mais este tipo de intervenção nas suas práticas.

Os profissionais que atuam nesta área incluem psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, educadores e técnicos de intervenção social, mas todos partilham uma característica comum: formação específica em TAA.

Não chega gostar de animais, é preciso conhecer comportamento animal, saber identificar sinais de stress, dominar princípios de segurança nas sessões e avaliar os resultados da intervenção de forma sistemática. É uma área exigente e é precisamente essa exigência que lhe dá credibilidade.

TAA Faz a Diferença

Os animais utilizados na TAA são escolhidos não apenas pela espécie, mas pelo perfil individual, pelo nível de treino e pelas condições de bem-estar que lhes são garantidas. São os profissionais especializados que asseguram que esta equação funciona, tanto para os utentes quanto para os próprios animais.

Se esta área te desperta interesse, fazeres uma formação específica em Terapia Assistida por Animais, é fundamental para trabalhares com rigor, ética e competência.